domingo, 26 de setembro de 2010


O Cavalo Crioulo e o Soneto
Vasco Mello Leiria
Pseud.: Capitão Caraguatá
Lombo liso, o pescoço bem plantado
o peito largo, a garupa forte e rica,
bons aprumos e bem proporcionado
o meu pingo crioulo pontifica,

desde a lenda, com arte, emoldurado...
O soneto é seu par, e notifica,
entre os quatorze versos, enquadrado,
o fundo, a forma, com que justifica,

a sua "unidade e harmonia"...
Pingos buenos, que, em rima, vão troteando,
com impulsão da raça, e... de estesia,

e, baralhando o freio, tempo a fora,
soberbos como china... se amansando,
com muito jeito, com estro e com espora.

sábado, 25 de setembro de 2010


Se houver cavalo crioulo
Na terra mais diferente
Se houver cavalo crioulo
É feito a casa da gente

Pode ser nalguma rua
Na praia ou na capital
Num shopping, na faculdade
No coração da cidade
Ou numa praça central
Mesmo que seja no asfalto
Entre concreto e tijolo
Muito longe dos potreiros
Qualquer lugar é campeiro

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

Cavalgo solitário e só
Num cavalo com corpo de vento
E com os cascos feitos de pó...
Guia-me o sentido desatento
Por entre temporais
Que crescem vivos,
Que crescem sempre mais.

Cavalgo num mundo de sonhos
Por campos de maio
Cheios de alvos anhos
Guardados por pastor catraio
Que vi feito de mim.

Cavalgo num cavalo
Que não tem cor e é meu.
Quis um dia soltá-lo
Para que galopasse em cima do céu...
E ele voltou com corpo de vento
E cascos de pó.



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